a terra é redonda

Consta que a minha filha já diz “a terra é redonda” sem ser ao pé de mim, causando assim algum espanto, uma vez que não tem 2 anos e tem um aspecto de  personagem de um filme da pixar, especialmente se tiver calças cor de rosa e tiver sido eu a meter-lhe dois elásticos no cabelo. Claro que nesta idade eu ensinar-lhe que “o tempo é relativo” ou que “a velocidade da luz é constante” é o mesmo que ensinar-lhe que “os gatos gostam do calor”. São só factos, não quer dizer que os entenda. Não fizemos todos a matemática assim? Contudo, é nítido que a miúda é curiosa. Podia não ser que eu gostava dela à mesma e isto pode ser uma fase e estagnar. Pode ter este nível intelectual para sempre e dizer coisas como “é preciso garantir a sustentabilidade do sector dos táxis” quando aparece um serviço melhor e mais barato.  Também acho giro ela fazer o chamado cooperative play que supostamente (não acredito, mas ok) só acontece daqui por 1-2 anos.Dizem que eles primeiro brincam sozinhos, depois em paralelo e só depois é que interagem com outras pessoas. A minha parece o Jorge Jesus: “tu papá, vais para ali! Não, para ali!” depois pousa a bola e dá pontapés e eu tenho de fazer o mesmo e estamos a jogar à bola. Às vezes ela interrompe a brincadeira para observar muito sorridente: “papá, estamos a jogar à bola :)” e continua. Pode passar horas nisto e se interrompermos a brincadeira, vai haver choro a sério e somos uma merda de pais. O que me leva a terminar este post com o seguinte conselho relativo a birras: nunca inicies uma actividade divertida com um filho que não tenhas a intenção de continuar até ser ele a fartar-se, adormecer ou ter fome.

ps: apercebi-me que este último conselho se pode aplicar a qualquer início de relação, isto é, no que respeita a birras, nunca inicies actividades divertidas para elas como cozinhar coisas boas ou levá-la a sair, se não tens intenção de fazer isso regularmente enquanto durar a relação até ela fartar-se, adormecer ou ter fome.

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6 thoughts on “a terra é redonda

  1. Que máximo 🙂 Deve ser uma fase mesmo engraçada 😉
    Diz-me uma coisa que não tem nada a ver, a tua Júlia já se senta à mesa contigo, na cadeirinha dela, ou come no seu tabuleiro? (naquele que vem com a cadeira) obrigada 😉

  2. hmm, nao querendo ser do contra, e muito menos querendo por em causa o que dizes de a tua filha ser curiosa e fazer coisas avançadas para a idade, pela minha experiência de observadora e amiga de pessoas com filhos, todos os pais acham que o seu filho é mais esperto que os outros, que lê melhor, que é mais bonito, que é maior, que fala melhor, etc.
    já reparaste, certo? e lá está, acredito que em alguns casos de facto sejam, que pode perfeitamente ser o caso da tua filha, mas se calhar os pais é que vêem as coisas com outros olhos.
    não é essa a minha teoria, no entanto. a minha teoria é que a escala é sempre o mais abaixo possível, para que qualquer miudo consiga ultrapassa-la e os pais ficarem orgulhosos.
    até nas roupas acho que os tamanhos de bebe sao aldrabados para todos os pais pensarem que têm um filho grande ‘para a idade’.
    isto é tão cliché que quase podia ir para o meu blog.

    lembro-me de um unico exemplo em que ja ouvi um amigo meu admitir que o filho dele está muito atrasado a falar, visto que nao diz ainda uma palavra e já vai para um ano e meio. mas isto é so em casos flagrantes como este.
    gostava de pensar que quando for mae vou conseguir ser completamente imparcial.

    surgiu-me agora de repente outra teoria que é os pais terem consciencia das limitaçoes dos seus filhos e por isso apenas dizerem aos outros aquilo em que eles sao melhores.

    1. Muitas teorias maat, mas o cliché também pode ser essa teoria 🙂 Tenho amigos que têm mais de um filho e conseguem quase todos dizer “este é mais burrinho que o outro” ou “o meu mais novo tem péssimo feitio, o mais velho era sossegado” etc. Ela fala melhor que crianças de 3 anos e do que o Jorge Jesus. As competências verbais dela são muito avançadas, começou a falar com menos de 1 ano de idade ou menos e rapidamente evoluiu para conversas, mas isso é porque as coisas estão mais ou menos tabeladas e tens consultas de pediatria em que há mais ou menos fases. Também há feedback dos outros pais, pessoas da creche, médicos, amigos, família etc. A não ser que toda gente minta ao dizer “epá, ela fala imenso!!!” ou “porra, parece que já tem 4 anos” (o que é uma possibilidade). Quanto ao tamanho há estatísticas, percentis, pesam-ta e sabes em que percentil de peso está para a idade e o sexo. A minha está no 85% de peso, por isso posso dizer que é mais pesada que 85% das meninas da idade dela, mas não é coisa que me preocupe, porque ela começando a correr (já fiz um plano de treinos) vai perder aquela pança redonda que tem. Eu duvido que volte a ter uma menina ou menino tão espertalhuço, mas vou gostar dela à mesma. Não sinto que seja uma questão de ser consequente neste idade, enfim, é como aquelas crianças prodígio (que não é o caso dela!) mas que conseguem resolver problemas complexos aos 8 mas não é por isso que vão ser matemáticos relevantes, ou tocam violino perfeitamente aos 11 mas nunca vão ser compositores ou músicos decentes… há muitas qualidades importantes. Prefiro que seja confiante e feliz do que muito esperta por exemplo 🙂

      1. exacto, todas as crianças têm diferentes evoluções dos diferentes aspectos. e se quando sao pequenos se repara mais claramente a evoluçao num aspecto, à medida que vao crescendo, essas diferenças vao-se dissipando e tornam-se apenas em pessoas normais.
        mas claro, como também há pessoas mais inteligentes do que outras ou com mais destreza física ou mais sensibilidade artística do que outras na vida adulta, acredito tambem que se possam ver alguns desses traços logo desde pequenos.
        quase todas as crianças que conheço têm pança mas sao poucas as que chegam assim à adolescencia. acho que nao precisas fazer um plano de treinos para ela 🙂 por outro lado, quando chegam a adultos, aí sim, precisam desse plano.
        e por falar nisso, comecei a correr tambem. uma vez por semana, com a minha cadela. baby steps. mas nao tenho nenhum plano de treino 🙂

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