generalização sobre benfiquistas e sportinguistas

Ao contrário do que por aí se diz nos meus comentários, existem, para todos os efeitos, eixos comuns e generalizações possíveis de serem feitas sobre benfiquistas ou sportinguistas muito para lá dos óbvios (e incorrectos) juízos sobre as classes sociais ou raças dos respectivos adeptos que eu já tive oportunidade, inclusive, de estudar profissionalmente.

Tudo começa por o Sporting ter sido campeão apenas duas vezes desde 1982 (em 2000 e 2002), ou seja, duas vezes em mais de 30 anos. O Benfica foi campeão 10 vezes em igual período. Podíamos falar no FCP que foi campeão 20 vezes no mesmo período (e campeão europeu 2 vezes), mas não vamos referir isso.

Assumir que isto não tem influência na personalidade das pessoas é como o ingénuo Vareta afirmar nos meus comentários que ser católico ou muçulmano, protestante ou budista, não tem qualquer influência no indivíduo médio em temas tão relevantes como a relação com a verdade e a hipocrisia.

É evidente que o sportinguista médio tem o mesmo amor ao clube que o benfiquista e que o Sporting é “um dos três grandes”. Mas reside aí a sua tragédia, na relação entre as expectativas que tem, que lhe incutiram em pequeno, e a satisfação dessas expectativas ser 5 vezes inferior à de um benfiquista e 10 vezes inferior à de um adepto do FCP.

Há marcas, feridas,  que perduram toda uma vida na alma de uma criança vítima de maus tratos e negligência por ter sido adepta do Sporting. Julgará a TB que uma criança que chora todos os anos por perder um campeonato para com o Benfica ou ser eliminado 1-3 pelo CSKA depois de estar a ganhar 1-0, tal e qual como na final da Liga Europa, julgará que isso, dizia eu, não molda uma personalidade? Que não deixa um traço de amargura, ressentimento, frieza, carência? De descrédito, cinismo, fatalismo? Qual dos dois seria adepto do Sporting, Schopenauer ou Sallinger?

Se  a TB (assumo ser uma mulher tal é a incompreensão face ao avô e ao futebol – e aqui está uma generalização) pensa que isto não permite generalizações, engana-se muito sobre ela própria e sobre as outras pessoas de esquerda. A proximidade geográfica entre Benfica e Sporting amplifica brutalmente o diferencial vs o Benfica e os benfiquistas que têm de aturar diariamente nos empregos, na escola, na vizinhança. Se fosse o Benfica a ser campeão 20 vezes e não o FCP, Portugal estaria ainda mais à frente nas estatísticas de venda de anti-depressivos e talvez já tivesse estalado um conflito civil.

O sportinguista é como um heterossexual que se aperalta todo para sair à noite e que só às 4 ou 5 da manhã descobre que está numa discoteca de gays depois de praticamente toda gente lhe apalpar o cu e quase o violarem no wc, mas que no dia seguinte sai à noite de novo e escolhe de novo uma discoteca com nomes como “Rainbow Lollypop” ou “La Moustache”.

O benfiquista é, aos olhos dele, arrogante. Porquê? Porque é feliz e auto-suficiente, nem que seja por celebrar, em média, mais vitórias. Não é irritante alguém estar a celebrar no preciso momento em que estamos tristes?

E o Platini, podia não ser francês, ou os franceses são uns parvalhões? Deixo à consideração.

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9 thoughts on “generalização sobre benfiquistas e sportinguistas

  1. o problema da seguinte frase (admitindo que ainda se está a falar disto) “Nos países católicos pode ser-se hipócrita no que se quiser, até os operários podem pôr os palitos à mulher, podem-se fazer abortos todos os dias e depois dizer que se é contra o aborto, dizer-se que se é a favor da escola pública e depois pôr os filhos numa privada, isso é típico dos países latinos” proferida por maria filomena mónica, essa grande socióloga, nem é tanto o a generalização. É, diria eu, grande comentador, a ignorância revelada pela senhora em causa. (é disto que se está a falar? parei no terceiro parágrafo deste post).

    Que eu saiba, na finlândia ou na alemanha, quando se mete os palitos, é mesmo para meter os palitos, ou seja, para, na medida do possível, guardar segredo e ser hipócrita. o mesmo acontece com as mulheres que são contra o abordo e fazem-nos às escondidas e os pais que metem os filhos na escola privada ao mesmo tempo que defendem a pública (neste ultimo caso não percebo qual é o problema, pode-se perfeitamente defender a escola pública mas preferir uma privada, acho eu, mas até tenho medo de dizer estas merdas em voz alta…).

    Nenhum alemão protestante, depois de ter encornado a mulher, chega a casa e se gaba do feito. Nenhuma mulher alemã protestante fica contente por saber que o seu marido a encornou.

    Ou seja, maria filomena mónica, através da generalização banal e fácil, tentou criticar os portugueses/latinos estabelecendo uma relação completamente idiota entre hipocrisia e religião católica.

    maria filomena mónica, numa resposta até interessante a uma pergunta banal, sentiu necessidade de dizer umas porcarias sobre essa categoria mirífica, “os portugueses”, ou “os latinos”, coisa que todos os intelectuais sentem necessidade de saber, mesmo que percebam tanto sobre ” os latinos” ou religião católica como eu percebo de literatura norueguesa (protestante, por sinal), e, invariavelmente saem-se mal.

    agora vou mazé trabalhar, porra”

    1. não tens razão, exageras um pouco. Há generalizações certas. Por exemplo, não foram nem 1 nem 2 católicos qe conheci cujo ritual de despedida de solteiro envolve prostitutas em Badajoz. É uma coisa de católicos do meio da Maria Filomena Mónica. Não são nem 1 nem 2 os católicos que conheço que anualmente fazem uma viagem de negócios ao brasil para umas surubas com prostitutas de luxo. E são católicos pá. Separar isso da tourada ou do machismo ou da hipocrisia é como achar que os Sopranos, os mafiosos dos Sopranos, podiam ser alemães ou holandeses etc. Não me lixem, meninos.

      1. isso não é hipocrisia, isso é tradição. são coisas que passam de pais para filhos. também conheci muitos “católicos” que aos 14 anos já iam às putas acompanhados dos pais, irmãos mais velho… nada tem que ver com religião, seja qual for.

        olha, nunca leste ou viste os filmes baseados na obra do stieg larson? os suecos também sabem ser machistas!

        acho tremendamente infantil, e até um bocado perigoso, achar que os nórdicos são uma espécie de raça especial, diferente da dos latinos, que fazem tudo certinho e sem atrasos.

        hipocrisia é outra coisa, é uma qualidade intrínseca aos ser humano.

      2. deus me livre, prefiro os latinos 1000x à cultura protestante austera e castigadora do impeachment porque o o clinton andou a meter o charuto na estagiária. Claro que sabem ser machistas, mas não são só coisas boas, também têm defeitos como os que referi.

  2. «O sportinguista é como um heterossexual que se aperalta todo para sair à noite e que só às 4 ou 5 da manhã descobre que está numa discoteca de gays depois de praticamente toda gente lhe apalpar o cu e quase o violarem no wc, mas que no dia seguinte sai à noite de novo e escolhe de novo uma discoteca com nomes como “Rainbow Lollypop” ou “La Moustache”.»

    Hahahaha! :’D

    O Platini sempre foi um merdas, agora está mais gordo, portanto, é ainda mais merdoso.
    Paolo Rossi é que era, pá!

    (o post sobre os escritores é mesmo inquérito chick bait, pá. Estou com o Vareta.)

  3. Sim, sou mulher e sportinguista se calhar até por influência do meu avô (sportinguista também), mas tenho um profundo desinteresse por futebol e o meu comentário não tinha assim tanto sumo para dar um post inteiro, mas pronto obrigada.

    Talvez o que digas até possa ser verdade, mas mais uma vez, acho que as pessoas são mais que as gavetas onde as põem.

      1. Já estou a imaginar, um cemitério de benfiquistas: “Eles, que foram Pr’A Luz”. O pior era se além de benfiquistas fossem católicos, tinham que deixar escrito em que cemitério queriam ficar.

  4. Olhas para nós sportinguistas na perspectiva do copo meio vazio. Eu acho que em vez de deprimidos nos tornamos mais resilientes.

    Salinger bebia a própria urina. Nós bebemos Krug.

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