10 de Novembro, manifestação contra a moção de rejeição – i’m out

Ainda estou deprimido pela nomeação de Calvão da Silva para Ministro da Administração Interna. O facto do Governo estar condenado à partida torna a nomeação ainda mais deplorável. João Miguel Tavares diz bem no Público

 

Há 14 milhões de razões para João Calvão da Silva não poder ser nomeado ministro, uma por cada euro que Ricardo Salgado recebeu do construtor José Guilherme. E nenhuma razão para que alguém se lembre de o pôr à frente da Administração Interna, tendo em conta que ele foi um dos dois distintos professores de Direito de Coimbra a assinar um parecer atestando a idoneidade de Ricardo Salgado para continuar à frente do BES após ter embolsado a famosa “liberalidade”.

Como se não bastasse a ideia peregrina de chamar “liberalidade” à oferta de um camião de notas, há ainda este facto a reter: José Guilherme era cliente do BESA, do qual o BES detinha então a maioria do capital – e portanto, mesmo que de forma indirecta, cliente de Salgado. Contudo, nada disso impediu Calvão da Silva de assinar um bonito parecer defendendo que a “liberalidade” havia sido apenas retribuição por um “conselho dado a título pessoal”, “fora do exercício das funções” de Salgado, e que por isso não se via “por que razão censurar a sua aceitação”.

Mas há mais. Calvão da Silva decidiu ainda adornar tão belo naco de direito português com reflexões delico-doces sobre a beleza da “entreajuda”. Escreveu o senhor professor de Coimbra: “[Este é] o bom princípio geral de uma sociedade que quer ser uma comunidade – comum unidade – com espírito de entreajuda e solidariedade. De outro modo, ninguém estaria disponível para dar um conselho, uma recomendação ou informação a quem quer que fosse. É natural, pois, que um amigo possa e tenha gosto em dar sugestões, conselhos ou informações a outro amigo.”

Se por um lado parece menos grave por ser inconsequente e não acho que Passo Coelho seja corrupto, é talvez o lado simbólico que me choca mais. Insere-se na mesma linha do elogio de Passos a Dias Loureiro na queijaria. Mais grave foi a manutenção de Relvas (a própria presença dele logo para começar, é incompreensível) muito para lá do admissível. É como se me pedissem amnésia.

Isto demonstra que não existe sensibilidade ética e respeito pela digniddade dos portugueses. Sem noção do certo e errado e da sensibilidade mais essencial que uma população tem, a da reputação, da jutiça, caímos precisamente no que de facto motiva a axcenção da extrema esquerda populista e extrema direita populista em sociedades anteriormente abertas e liberais. Não é coincidÊncia que os radicais do Bloco de Esquerda tenham tido o melhor resultado eleitoral na ressaca do PS ter tido o político mais corrupto dos 40 anos de democracia portuguesa à frente dos seus destinos durante uma década.

Não tenho muitas dúvidas quanto ao desastre que será um governo de “frente esquerda”, mas também não acredito que cheguemos às profundezas do que foi a situação grega e entretanto espero que seja pedagógico. Costa não tem legitimidade política, ao contrário de Tsipras por isso cai mais depressa e espero que rebole para longe.

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nirvana fallacy

This is colloquially known as the “nirvana fallacy”: the tendency to assume that there is a perfect solution to a problem. A politician who uses the nirvana fallacy gains an easy rhetorical advantage. He can paint inspiring pictures of his perfect world, and attack the existing state of affairs for not living up to it. He can accuse anyone who doesn’t accept its plausibility as cynical, lacking in vision, or principle.

But this advantage comes at a cost, because the nirvana fallacy makes you stupid. It stops you from doing the hard, gritty thinking about how to improve the world we have, since, faced with a series of complex, imperfect options, you overleap them to reach the sunlit uplands of an ideal scenario. Soon, you forget how to think about the real world at all. daqui, por acaso integrado num post sobre infra-estruturas de bicicleta, mas que podia perfeitamente ser aplicado ao pensamento de certos político e vocês sabem de quem é que eu estou a falar.

o sistema

Uma das coisas curiosas que me dizem é que “eu tenho medo de comunistas” só porque os pêlos dos meus braços se eriçam tipo gato em alcatifa quando oiço “por uma política patriótica de esquerda”.

O problema são as condições do sistema e o resultado do comunismo, não são as pessoas serem más pessoas. Eu não tenho medo “dos comunistas”. Eu tenho amigos comunistas, eu conheci comunistas simpáticos e com menos de 60 anos, eu acho o Jerónimo de Sousa bem intencionado e honesto.

Também acho idiota assumir que os nazis eram “más pessoas”. De repente uma nação de psicopatas extremistas? Uma geração de doidos? Não acredito e as entrevistas aos tipos em Nuremberga comprovam-no. Grande parte é algo hipócrita e outra parte estava genuinamente convencida de estar a fazer algo de bom e nunca pensou muito no assunto e falo de 2ªs e 3ªs linhas de Hitler, imagino ao nível do soldado de uma SS a executar civis.

O preocupante é ver que pessoas normais podem ser nazis e ver como todas as experiências que se fazem nesse campo demonstram que muitas pessoas podem tornar-se altamente frias e crueis com um sistema que dê os estímulos e as recompensas adequadas para isso. Esse é o alerta.

O meu ódio ao comunismo não é diferente do meu ódio ao fascismo ou a outras formas de extremismo, porque criam as condições para essa opressão de uma forma quase matemática. Quando me dizem “o PCP por cá podia não ser como a URSS, a China, Cuba, Coreia do Norte” etc. é o mesmo que alguém me dizer que se os neonazis portugueses até mereciam uma oportunidade porque  aquilo na alemanha correu mal. Como se não fosse algo intrínseco às ideias em si.

Por exemplo, para vocês, boas pessoas, o facto do Bloco de Esquerda propor um cabaz de peixe em que se mete lá fanecas e outras espécies de menor valor comercial, para oferecer aos portugueses um cabaz mais sustentável nutritivo e ecológico não é muito grave. Que o Governo decida pelos pescadores, peixeiras e portugueses a constituição ideal de um cabaz de peixe regulado, parece só uma piada.

Eu vejo nisso o princípio de uma coisa muito má. Começa por alguém no Bloco de Esquerda achar que não só compreende as dinâmicas do mundo em que vive, como que lhe compete substituir-se a esse equilíbrio e determinar o resultado com um racionalismo extremo. Daqui vamos para coisas como a”ocupação do território” em que, como sugeriu Catarina Martins a propósito dos médicos, lhes fossem dados incentivos não monetários para que fossem ser médicos na santa terrinha que o estado lhes propõe, mas podíamos ir para a mentalidade de António Costa que encaminharia refugiados para uma zona do país para trabalhar na agricultura.

Esta forma de pensar, obviamente, tem gradações, mas resulta inevitavelmente em opressão das liberdades individuais e em sistemas que no fim são piores, geram menos bem estar para todos.

Comigo, isso não passa em claro. E é por isso que sim, tenho medo do comunismo como do fascismo, mas não diabolizo as pessoas que acreditam neles, muitas vezes porque estão imbuídas de um sentimento de revolta, de luta, de ética. O paradoxo é que às vezes quanto mais convencidas estão de serem boas pessoas e estarem do lado do bem, mais perigosas se tornam.