sempre nos mesmos

O facto de boa parte da população não considerar assim tão relevante umas eleições ou informar-se, é porque a vida segue e as coisas andam. A democracia também é a reserva de potenciais eleitores que se estão a borrifar porque não notam grande impacto no dia a dia, até um dia o banco estar fechado ou a reforma passar de euros a escudos ou uma junta passear tanques nas ruas.

Eu não reclamo assim muito de quem nos governou desde o 25 de Abril e rio-me quando oiço as pessoas que dizem “vão votar, não deixem isto igual” assumindo que as pessoas que não votam seriam todos do bloco ou do PCP.

Portugal pauta-se por ter uma saudável inércia e indiferença para com ideias e conceitos que possam sacudir as coisas por aí além e tão acaloradamente fascinam alguma população mais urbana ou mais politizada pelas famílias. Aliás, acho que a maior parte dos povos (viu-se na Grécia, na transformação e educação de Tsipras) prefere a opção de querer ter uma vida sossegada, sem que lhes fodam as coisas.

O ponto de viragem pode acontecer e historicamente acontece por dois motivos:
1) desigualdades que atingem um ponto de ruptura. A argumentação política mais extrema (pcp, bloco, etc.) sustenta-se numa espécie de histeria apocalíptica que quer antecipar para hoje essa ruptura, hiperbolizando a que existe.
2) O plano ético. A corrupção pode ser suficiente para eleger um populista qualquer que vai ser mais corrupto ainda. A sociedade deve dotar-se de mecanismos e justiça funcionais para eliminar isto do discurso político dos Podemos. E foi em parte por isso que abri uma garrafa de champanhe com a prisão de Sócrates ou Salgado. A mera possibilidade disso acontecer deve ser saudada pois é um sinal de uma democracia aos poucos mais madura e funcional.

Quanto às eleições, neste contexto, o que garante mais que as merdas andem e não se metam com merdas de sair do euro e com outra porrada de impostos e troika nos costados até mudarem de ideias e afinal o euro já é bom e é preciso austeridade, é uma maioria absoluta de PAF, embora nem isso me garanta (de modo nenhum) que não suceda outra brincadeira do género da de 2011. É apenas menos previsível do que se for um governo minoritário qualquer, afastada que me parece o cenário pior: uma vitória de um governo minoritário do PS que depois levasse a coligações com partidos mais exóticos até nova vinda da Troika. Se PAF ganhar sem maioria absoluta, fico chateado, é mau. Mas paciência, fica para as eleições seguintes depois do PS inviabilizar o orçamento e suscitar a tal crise outra vez. Isto vai lá.

Resumindo, só uma maioria absoluta de PAF me pode fazer dar valor ao champanhe que vou abrir de qualquer maneira e ver a jornada de futebol em paz, sem angústias.

Anúncios

One thought on “sempre nos mesmos

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s