fugir para a frente

Já se fala em referendo interno no PS para decidir se formam governo com a extrema esquerda, o que é um pouco o mesmo que referendar “queres hipótese de tacho? Sim/ Não”.

4 anos a recuperar credibilidade do país, a diferenciar isto do circo grego, um princípio de qualquer coisa, uma hipótese. Um contexto complexo e nem com promessas fáceis o PS ganhou as eleições. Perderam-nas contra uma coligação que se posicionou com um discurso menos demagógico e que durante os 4 anos aplicou medidas impopulares que tiveram impacto em todos.

O certo é que 70% do eleitorado (e talvez mais, parte do eleitorado urbano e intelectual do Bloco, penso que não deseja conscientemente o regresso ao escudo ou não entende bem o que isso significa) se revê em partidos europeístas, na adesão ao euro, na pertença à NATO, numa economia livre e de mercado e compreende o limite de deficit, no mínimo, o princípio que tem de haver uma relação entre recursos que uma economia produz, e o que pede emprestado e gasta.

O PS teve os votos que teve sempre com o compromisso com estes princípios, mesmo que o compromisso fosse mais arriscado. Tinha, em qualquer caso, de se diferenciar de PAF.

A aliança PS – Bloco o PS – PCP seria mais absurda que a do Syriza (versão 1.0) com a extrema direita dos Gregos Independentes, uma vez que estes dois partidos partilhavam as linhas essenciais.

Já ouvi dizer “eu pagava para ver um governo PS-Bloco-PCP”. Pagamos todos. Costa, que nem consegue segurar o próprio partido, dividido entre dois candidatos presidenciais e que já se começa a fracturar e rasgar com isto, pensa que consegue convencer que tem mão num governo com a banda filarmónica da extrema esquerda súbita e cinicamente domesticada, contra uma coligação que aplicou as medidas e para todos os efeitos venceu as eleições.

Mesmo que seja um bluff de Costa ou um espernear patético, consciente que está no desastre que foi a liderança do PS e o seu fim político, a marca fica aí, indelével, para quem quiser ver. Resta saber se continua a fugir para frente, cego, ou se faz o que devia ter feito na noite eleitoral: demitir-se.

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7 thoughts on “fugir para a frente

  1. ’tou mesmo fartinha desta brincadeira do Costa e do PS, enquanto isso, o país fica à mercê da neurose do líder socialista, que já morreu politicamente e ainda ninguém o avisou, tranquilizem o homem, digam-lhe que há sempre trabalho para um político num escritório de advogados ou numa empresa qualquer, ou lá que porra de curso tirou o Costa.

  2. o costa está desesperado! é a vida.

    o governo de esquerda é impossível por causa do pcp. são décadas e décadas e décadas a dizer a mesma coisa, décadas em que o mundo virou-se de pernas para o ar umas 30 vezes… é impossível fazer governos com o pcp. se o ps só precisasse do bloco talvez a coisa fosse diferente.

    mas agora vêm aí as presidenciais e parece que o marcelo já é presidente da república.

    cheira-me que daqui por uns meses a surpresa vai ser geral…

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