o hype Star Wars

Vi os filmes todos da saga. Os primeiros que saíram vi-os pelo menos cinco vezes cada, o que para os meus padrões é muito. Raramente revejo um filme a não ser que o esteja a mostrar e partilhar com alguém. A minha infância e imaginário foi indelevelmente marcada pelo Star Wars.

Tudo isso aconteceu numa era pré-internet e em que apenas despontava a globalização de hollywood no portugal pós 25 de Abril. Considero-o espontâneo. Os filmes estavam anos de luz à frente a nível de produção face ao que existia na época. A diferença é abissal. Era impossível não ficar embasbacado.

O Star Wars original é na verdade um brinquedo. Não existiam efeitos digitais. O filme vivia de cenários, adereços, objectos físicos palpáveis. O fato do Boba Fet ou do Darth Vader existiam, como existiam miniaturas das naves que eram pacientemente construídas. A luz dos sabres era pintada à mão frame a frame, os fatos dos storm troopers feitos um a um.

Essa tangibilização de superbrinquedos fazia qualquer criança ou pré-adolescente sonhar, fundir o filme com um universo mágico onde aquelas coisas e personagens existiam mesmo, mesmo que fosse num estúdio na terra distante que era a América de Reagan (era Reagan? até tinha um programa de defesa espacial chamado Star Wars). Havia magia.

O Star Wars é por isso um fenómeno da geração de 70, early 80s, os que o viram quando crianças ou pré-adolescentes. Os babyboomers que apanharam com Indiana Jones, E.T., Goonies, Gremlins, Back to The Future e outros filmes dos “movie brats” dessa geração.

Acredito que em 2015 crianças ou pré-adolescentes possam adorar o star wars. Mas acho penoso o fenómeno de ver adultos a tentar perceber o hype, como namoradas expostas ao mesmo, vendo filmes claramente datados e até algo medíocres. E ainda mais penoso a exibição do entusiasmo pela estreia de mais um episódio, especialmente depois dos novos episódios terem oscilado entre o competente e o pior filme de sempre.

O último Mad Max provou que se pode fazer enorme cinema de acção pegando em referências clássicas. Alguns do Batman mostram como clássicos podem ser reinventados. Senti-me traído com defeitos dos novos episódios, até porque empalidecem comparados com os melhores filmes do género da actualidade, isto é, eram maus não apenas comparados com os clássicos, o que seria uma comparação injusta devido ao lado afectivo: eram maus para cinema actual. E sinto que com o dinheiro que tinham e a responsabilidade que tinham, agiram apenas como uma corporação preguiçosa.

O que a saga tinha, o estar na linha da frente da exploração, perdeu relevância com o digital. Diria que o Avatar, o Titanic ou o Jurassic Park e outros acabaram por ser exemplos de marcos que um novo Star Wars deveria ser no mundo de hoje.

Isto é, o Star Wars poderia fazer sentido como experiência nova, por exemplo, com óculos de realidade virtual ou uma coisa do género. O novo trailer deixa antever os truques fáceis, embora desta vez pareçam apostados em algo mais “analógico” e humano, pelo menos assim parece (esperarei por boas reviews antes de gastar um euro que seja no cinema).

Aqui em Portugal sinto que o hype – que implica uma massificação, em Portugal – é novo, porque agora existem social media em que os entusiastas de star wars podem exibir esse entusiasmo e fazermos parte de uma aldeia global. É quase uma seita, um clube. Eu arrepio-me todo quando oiço o genérico ou o som de um sabre de luz. Mas para mim o Star Wars é como um brinquedo perdido que regressa.

Aqueles sons e imagens são as de pedaços da minha infância, como o Indiana Jones ou os Gremlins. Mas fui traído tanta vez por estes fenómenos que já não tenho qualquer curiosidade pelo novo filme. Zero.

 

 

 

 

 

 

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One thought on “o hype Star Wars

  1. Eu também gostei mais do primeiro Guerra das Estrelas, que foi aquele em que ganhou a Sara Tavares. Já nem me dava conta que tinha sido há tanto ano.

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