censura

Acho que o Rui Sinel de Cordes tem razão na reflexão sobre a censura das massas estúpidas no facebook, não tanto sobre a mediatização do cancro ser um problema (não é, pelo contrário). Já me tocou, por exemplo, posts irónicos que são interpretados à letra por pessoas descontextualizadas ou então simplesmente com pouca habituação a isso da ironia. No facebook como há carradas de censura de massas, denúncia de posts, imagens etc. os tipos não brincam em serviço e os patrulheiros da moral não hesitam em coordenar ataques.

Contudo, ao permitir esse tipo de censura das massas (estúpidas, porque precisamente são as pessoas estúpidas que intimidam, ameaçam, denunciam) o facebook corre o risco de se esvaziar enquanto plataforma social interessante e remeter-se a um reino do feelgood social e neutro. E abrir assim as portas a uma rede social mais liberal.

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9 thoughts on “censura

  1. Tenho poucas dúvidas relativamente à estupidez que assiste a esse Sinel, vai daí, e como diria a minha avó, “estão bons um para o outro” (um – o Sinel; o outro – Facebook e correlatas patrulhas).

    1. Bem, ele não tem piada e de facto isto resume-se ao facebook (seria bem mais grave se o afectasse na vida real). O Ricky Gervais nos Globos de Ouro tem. Para mim isso é fundamental, alguém pode fazer qualquer tipo de piada desde que tenha piada e quanto mais ofensivo for, mais piada tem de ter. O Sinel confunde ser ofensivo, boçal ou politicamente incorrecto com ser interessante ou engraçado. Dito isto, acho muito bem que continue a fazer o que faz, ele e outros, as pessoas têm de aprender a não ficarem todas chateadas com humoristas / arte / entretenimento em geral.

  2. Nunca achei gracinha ao Sinel, acha que ser ofensivo tem piada. Não tem.
    Dito isto, fui ler o post dele que inflamou as redes sociais. E não vi que pudesse ser ofensivo da rapariga em questão. Já vi há dias o video que ela publicou no youtube e achei-o leviano. Por mais que o video queira passar uma mensagem de alerta, é todo ele uma manipulação – ao belo estilo dos videos de salvamentos dramáticos de cachorrinhos – e um desejo de protagonismo da rapariga que, aliás, sempre existiu, mesmo antes de lhe ser diagnosticado o cancro. A miúda até é gira, sempre a achei parecida com a Marion Cotillard mas este video foi demasiado. Poderia tê-lo feito, noutros moldes, sem escancarar a necessidade de protagonismo e de atenção. Enfim… Mas ela tem o direito, como é óbvio, de viver o cancro como quer.

    A maior parte das pessoas que vivem nas caixas de comentário do FB são pessoas que se indignam e se inflamam com coisas que não interessam, que acreditam em tudo o que lêem porque «se está na internet, é verdade» e essas pessoas têm, infelizmente, pouco sentido de humor.
    É tudo, a meu ver, much ado about nothing.

    1. Só acho que o cancro se ‘banalizar’ e mediatizar tem um efeito positivo, aí discordo de ti. Se é preciso uma abordagem light ou esteticamente apelativa publicitária ou com uma miúda famosa giríssima, tom dramático, tudo bem, eu venho do branding, acho bom que as coisas sejam eficazes para o mainstream. Para mim tão importante como o efeito positivo na consciencialização da doença, é a ideia que podes ser bonita e jovem e perfeitinha e dizerem-te que podes morrer. A sociedade ocidental vive mal com a noção de que somos mortais até apanhar com um cancro ou ter amigos ou familiares com um. Há algo de muito cruel inerente ao raciocínio de que se tens um cancro ainda te querem dizer para ficares longe da vista ou teres de encarar isso com sobriedade, que há uma forma ética ou correcta de o fazer. Em parte também explorei o cancro do meu pai e a perda dele para alguns dos melhores textos que escrevi.

      1. Mas eu não disse nem digo que existe uma forma correcta de falar sobre o cancro. Prefiro, por exemplo, a forma como a Fernanda Serrano lidou com a doença, e foi bastante mediatizada. A Serrano é uma mulher mais madura.
        Se o video teve e tem impacto como creio que teve e tem, acho muito bem. Só partilhei a minha opinião, que é ter achado leviano e manipulador como um video de gatinhos ou cãezinhos.

        O video foi feito para o público dela onde eu, aliás, não me incluo. É marketing.

      2. ah, é verdade, esqueci-me que para a esquerda “marketing” é um palavrão excepto quando ao Varoufakis a chegar de mota e blusão de cabedal a uma reunião com credores, momento em que se torna um statement de irreverência genuína. De resto o teu comentário contem uma contradição, começa por dizer que não existe uma forma correcta de falar sobre o cancro, mas que o vídeo é manipulador e leviano. Em que ficamos, há uma forma correcta, menos leviana e manipuladora?

      3. Pronto, já começas, Lourenço. :/
        Quem te disse a ti que eu sou contra o marketing ou que acho que é um palavrão, pá?
        Rotulas-me como pessoa de esquerda, como se para ti o mundo fosse preto e branco. Manifestei a minha opinião. As opiniões são subjectivas, não são? Então, para mim o que é correcto pode não ser para ti nem para outras pessoas.

        Olha, esquece. Leva lá a bicicleta. :/

      4. Não acho que a lógica inerente a uma opinião seja subjectiva. No contexto do teu comentário e da crítica à miúda com cancro, o termo ‘marketing’ é pejorativo. Por um lado a miúda com cancro usa marketing, é leviana na abordagem etc. e estás a criticá-la, mas para não teres sobre ti o ónus de criticar a forma como uma pessoa com cancro fala dele, desvias para os “não há forma correcta de falar sobre o cancro” e contradizes-te. E no fim “olha, esquece”. O seres de esquerda é relembrar-me que já choquei de frente contra a “subjectividade das opiniões” a propósito de coisas como juros, recursos finitos, endividamento etc. e é sempre essa coisa dos pés em dois campos lógicos.

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