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S, por mim.Fiquei muito contente com os resultados. Senti alguma responsabilidade. Gosto muito de ver cada vez mais amigos e amigas com fotos minhas nos perfis nas redes sociais, sujeitos a elogios e muitos likes, mas esta era a primeira vez em que iria controlar as variáveis e não apenas uma foto espontânea longe do que idealizei. Nunca tinha fotografado uma modelo em modo de escolher e controlar o local, a hora, e levá-la por trilhos com lama (literalmente) para um local, ter a minha 85mm f1.4g.. E ainda a obriguei a levar o meu reflector, um chapéu de chuva. Felizmente tivemos o bom senso de deixar a mala com mudas de camisolas no carro.

Já tinha o local em mente há algum tempo e já o tinha fotografado no verão, mas nesta época do ano os verdes são escuros e profundos e ainda há detalhe destas plantas carnudas (que não conheço o nome) terem estes tons arruivados e acastanhados.

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Vi a meteorologia e antecipámos a sessão para mais cedo, mas tivemos mesmo sorte com a luz e o dia, o mar mimetizou os olhos invulgares da S. na perfeição ou vice-versa.

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É retrato assumido e a foto é para a outra pessoa, não tem qualquer pretensão. Sinto-me como um mero arquitecto a quem encomendam algo (sendo que aqui fui eu que pedi). Vejo retratos profissionais nas redes sociais, daquelas sessões de pros, em vários contextos, e muitos parecem-me maus, foleiros é o termo. Quem recorre a esses serviços acaba por ficar satisfeito julgo eu, por isso paciência. No fundo, quando vejo uma pessoa descaracterizada e empinocada numa sessão, em poses artificiais, pergunto-me que pessoa é aquela? Que interesse tem uma beleza (muitas vezes não existe) que envolve um nível de fabricação estanque impossível de recriar no dia a dia? A S. é assim todos os dias. E é isso que é preciso captar.

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aprendido

Desculpem não ter escrito nada de jeito ultimamente e não ter metido cá os pés. Ando um pouco atordoado com coisas. Uma delas é a fotografia. A outra é ter tido um iphone 4s. É verdade. É o meu primeiro smartphone. 2016. Tinha um blackberry mas não conta. Também ando às voltas com o novo site. Estou a mudar de instalações no escritório. Estou inscrito em três provas, duas são ultramaratonas (uma de 168km ahahah) e uma maratona. E com a minha filha, ando muito ocupado com ela, está mais pessoa e é engraçado. Tive um convite de uma editora para um projecto e acabei hoje mesmo de activar o scrivener (um programa de escrita) porque me sinto motivado para isso também. Não sei o que fazer o tempo. Amanhã vou correr 3-4 horas em Sintra de manhã, com amigos. A minha vida parece perfeita, mas não é. Há uma coisa que me falta. Uma caixa estanque para a minha nikon 750d para poder fotografar surf e uma lente de 16mm para os tubos. Tenho saudades de ler um bom romance. Tenho saudades de ler. Hoje activei o Scrivener. Vou tentar dedicar-me ao tal projecto. Há um provérbio japonês que é algo sobre uma pessoa que se dispersa por muitas coisas não é boa em nada, mas felizmente não me lembro do provérbio exactamente. Boa noite, gosto muito de vocês.

espera, agora aqui meto umas fotografias

Pavão.

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à espera da chuva passar

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nascer do sol

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Tenho andado a revisitar fotos que fiz nos últimos meses e a tratá-las de forma diferente. estou a testar umas coisas da VSCO, umas simulações de rolos analógicos para usar no light room que são – a meu ver – perfeitas. Adoro o ektar 100, o kodak gold, o agfa vista, o portra 400… alguns foram rolos que eu usei ou com os quais fui fotografado em criança. Há no digital uma busca pela perfeição, pela nitidez. E sem dúvida que as fotos que a nikon 750d consegue arrancar com lentes top são assombrosas. Mas depois há a questão do lado emocional e foi ao ver o trabalho de Todd Hido e ler-lhe entrevistas e o seu livro para a colecção da aperture que percebi o impacto da memória para gerar algo com interesse e percebi que eu reagia a fotografias que tinham o mesmo aspecto que aquelas que eu fiz ou que me tiraram quando eu era criança ou adolescente.

Como não penso fotografar analógico,  os simuladores da VSCO são excelentes e uma base de partida para trabalho. Parto de settings de determinado rolo, depois trabalho mais variáveis em cim deles e vejo como o Lightroom permite alterar completamente uma fotografia e criar algo novo. A ideia é chegar a um tipo de tratamento consistente e fazer uma série de coisas com essa visão. Para já é experimentar.

Talvez uma nova geração que cresceu 100% no digital não tenha essa resposta emocional, mas eu quando vejo fotos em analógico e com os “defeitos” que os rolos tinham, há algumas emoções que disparam.

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escravatura da imbecilidade

Pacheco Pereira neste texto consegue o expoente máximo do delírio! Pacheco puxa a lágrima ao sentimento do “ser-se português”, vejam só, o homem que há uns anos se insurgia contra as tradições académicas e outras coisas do tipo, agora puxa do argumento Scolari da bandeira lusitana da pátria contra o papão europeu, alemão, até corporiza no ‘neo-judeu’ Schauble. Encontra paralelo na situação da dívida portuguesa para com o colonialismo, como se os pobres povos colonizados tivessem pedido aos portugueses que os colonizassem, como se tivessem pedido também eles duas décadas de taxas de juro alemãs e selo do euro para terem carros e casas, segurança social, saúde, educação, estradas, pontes… Pacheo aponta uma suposta humilhação e conspiração num texto que mais pareço um fado amargurado. É isto, o fosso cava-se aqui, o Syriza bem surgiu com o repescar da questão nazi, com os actos simbólicos militares, patrióticos. Mostrem-me um patriota, alguém que tem na língua o “por uma política patriótica” para discutir temas como a sustentabilidade das contas do estado e eu mostro-vos um pequeno Chavez in the making. A conspiração e a opressão dos “outros”, dos “interesses” (sempre obscuros, o interesse do Zé Miguel em pedir um empréstimo a um banco a taxas de juro baixas, o interesse do reformado ter a sua reforma etc.  esse não é o “interesse”, suponho, viu-se na Grécia). Podia ser o judeu, é o alemão, é a UE, são os partidos todos menos o PCP e o BE (que instiga Costa a bater o pé à europa!), são todos menos o povo português e o Pacheco Pereira, eles (nós?) somos as vítimas. Qual é a alternativa de Pacheco? Mistério. Vamos supor que Pacheco é minimamente honesto intelectualmente, fazer um enorme esforço, e assumir que a alternativa é não-pagar a dívida e abandonar o euro. O Pacheco sabe o que isso significa? Na Grécia souberam.  Um filósofo grego (não me recordo do nome) explicou que foi essa a escolha dos gregos: acima de tudo quiseram ficar do lado do ocidente quando perante duas incertezas porque eles sabem o que está do outro lado. E nós também que vivemos em permanentes falências e caos e depois décadas de fascismo e opressão. Foi a Europa e os “Schaubles” e “Merkls” dos anos 80, também na altura vilipendiados pelos Pachecos (lembram-se das campanhas anti CEE quando Portugal aderiu?). É importante debater as consequências e pesar os prós e os contras de sair do euro e entrar em default em vez de resumir os argumentos à patacoada ressentida e lunática que se viu na Grécia ou a prometer ao povo a viragem das páginas. Para mim, a mais grave seria, por exemplo, António Costa fazer o orçamento que lhe apetecesse. Já bastou o que foi.

conselhos da Esquerda

Foi suspensa a conta “Conselhos do Costa” no twitter. Nada de novo, vem na linha da ditadura dos ofendidos e dos estúpidos, neste caso, da esquerda que se dá muito mal com o humor quando se vira para o próprio campo. Já tinha referido isso a propósito de Ricardo Araújo Pereira ou de João Quadros (este último não pode ser considerado humorista). Uma Cavaca a Presidenta pode estar online séculos, toda gente se ri. A conta Pedro o PM criada em 2012 com a foto de Passos Coelho esteve online sem nunca ter sido suspensa. A conta não violava os termos de serviço do Twitter (o único próximo poderia ser o impersonating another, mas é absurdo neste caso, como seria no Cavaca a Presidenta), visto que o Twitter permite paródias. Contudo, o Twitter suspende uma conta se receber denúncias. Enfim, vale o que vale, mas é demonstrativo.

 

 

o truque

O truque para fazer algo sentimental sem ser demasiado piroso é desfocar, meter ruído, sujar, procurar assimetrias, dissonâncias, mas sendo honesto, humilde, simples e exposto no essencial, sem as camadas de cinismo, erudição ou abstracção a que muitos recorrem por medo. Amanhã dou conselhos sobre como conservar maçã em saladas sem os bocados oxidarem e ficarem com mau aspecto.