deserto

celineLembrei-me do Céline, há dias, em conversa sobre escritores de que gostava e dessas coisas. Quis escrever sobre o Viagem ao Fim da Noite. O que sobrou foi mais ou menos um conjunto de lugares comuns sobre livros que mudam vidas e uma conclusão temporária, a de que são mais do género nutriente, o fundamental está escrito nos genes, predestinado. Alguns putos aparecem cactos no deserto a esticar raízes pelo solo duro coberto por uma camada de pó e areia, à espera de uma qualquer chuvada e alguns livros fazem isso, regam. É pena que com a idade tenhamos uma inevitável tendência para secar o solo e criar casca grossa, constituindo notáveis excepções aqueles que continuam sempre atentos, de folhinhas e raízes esticadinhas, a vida toda, à espera de novas chuvas. Peço desculpa pelas metáforas vegetais, mas ando a ler um livro sobre jardinagem por causa do meu terreno nas traseiras que, entregue à sorte dos elementos, resolveu brindar-me com uma luxuriante trepadeira com enormes flores azuis, cobrindo não só o meu terreno e as árvores nele contidas, mas invadindo também parcialmente os espaços cuidadosamente arranjados dos meus vizinhos. Que monstro é aquele?

3 thoughts on “deserto

  1. também gostava muito de explicar, nem que fosse a mim mesma, por que diabo esse livro de Celine foi um dos melhores livro que já li. e só me saem frases feitas.

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